Fiabilidade e gestão do risco na The Navigator Company

Para dar resposta aos desafios globais, as empresas procuraram eliminar as incertezas relacionadas com a sua capacidade instalada. Como garantir a fiabilidade dos seus ativos e prever indisponibilidades? Para dar resposta a esta questão, a The Navigator Company trabalhou com o ISQ.

O clima económico global é complexo e competitivo. O grande desafio das empresas é melhorar permanentemente o seu desempenho, que acontece quando registam bons rácios de ROI (Return On Investment), o que só é possível com a melhoria do retorno dos ativos investidos (Return On Assets, ROA).

Neste contexto, surgem incertezas relacionadas com a capacidade instalada, cujo efeito nos objetivos das organizações é vulgarmente designado por “risco”. Com o foco nos objetivos económicos e financeiros definidos, as empresas precisam de controlar esta variável. Para isso, e para garantir que se cumprem os rácios de ROI e de ROA, os equipamentos precisam de ser geridos tendo em atenção todo o seu ciclo de vida – um processo que envolve o cumprimento de elevados níveis de eficácia dos equipamentos, maior fiabilidade e flexibilidade dos ativos físicos e menor custo de manutenção dos equipamentos de produção.

A previsão da performance dos equipamentos (como a fiabilidade, parâmetros operacionais ou de gestão logística) que satisfaçam os requisitos de disponibilidade não são de modela- ção imediata, pois a determinação dos eventos que levam à indisponibilidade nem sempre é fácil de determinar ou prever. Assim, a Navigator lançou o desafio ao ISQ de propor projetos de melhoria que permitissem à fábrica de Cacia atingir os objetivos de produtividade de 1000 toneladas de pasta seca (tAD) diárias. A partir das constatações observadas numa fase prévia de diagnóstico foi proposta a implementação numa área piloto (tiragem 3, A350, responsável por 70% do turnover da fábrica de Cacia e considerada o bottleneck do fluxo produtivo) de um processo de gestão da fiabilidade baseado no sistema FRACAS (Failure Reporting and Corrective Action System), que contribuísse para melhoria da fiabilidade e para a redução da variabilidade produtiva.

Foi criado um núcleo de engenharia da fiabilidade, interligado com a inspeção e a intervenção local, na recolha e tratamento sistemático da informação e na monitorização da eficácia das ações de melhoria.

A METODOLOGIA FRACAS

As empresas procuram constantemente métodos para medir, controlar, corrigir e melhorar as falhas dos seus ativos. A metodologia FRACAS foi classificada pelo RAC (Reliability Analysis Centre) e pela IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers) como uma das tarefas mais relevantes na gestão da fiabilidade de ativos – compreende a implementação de um sistema de registo da natureza da falha de equipamentos, análise dos dados compilados e a sua padronização, para posterior tomada de decisão de implementação de ações corretivas. Este histórico de dados tratados fornece uma base sólida de conhecimento da instalação.

Com a implementação deste sistema obtém-se um mecanismo que documenta as falhas, avarias e eventos ocorridos (de acesso em circuito fechado), e permite a partilha de informação multisite. A disseminação rápida de informação precisa sobre as falhas é essencial para identificar e implementar medidas corretivas eficazes e evitar o impacto negativo de falhas recorrentes.

No âmbito do projeto realizado na The Navigator Company foi desenvolvido um roadmap para o processo de RCA, com objetivo de concretização da análise de falha em três fases: definição do problema, análise e implementação e monitorização de medidas corretivas.

A introdução destes processos envolveu uma mudança de paradigma fundamental para os bons resultados. A indisponibilidade, por causas intrínsecas à área piloto, teve uma redução visível. O downtime médio apurado sofreu uma redução de aproximadamente 50% face ao apurado em fase de diagnóstico, o que se traduziu num retorno económico muito significativo.

COMO FUNCIONA A METODOLOGIA FRACAS?

A metodologia FRACAS é um sistema de registo da natureza da falha dos equipamentos, bem como de análise dos dados compilados e a sua padronização, através da qual é possível tomar decisões sobre as ações a implementar para corrigir as falhas.

OS PASSOS FRACAS BÁSICOS:

  1. registo do incidente/falha
  2. realização da análise de falha
  3.  identificação e implementação de medidas corretivas adequadas
  4. monitorização da eficácia da ação corretiva

O processo desenvolvido para a análise de avarias segue a lógica de uma RCA (Root Cause Analysis) – uma metodologia para análise sistemática de eventos relacionados com a falha. O objetivo é identificar todas as possíveis causas em termos físicos, humanos e primários, e definir ações corretivas para prevenir recorrências.

THE NAVIGATOR COMPANY

Parceria com o ISQ reduz custos de manutenção na fábrica de Cacia

A Navigator é uma referência em termos de qualidade e desempenho, conseguidos pelo foco constante na otimização dos níveis de eficiência e eficácia das operações. Trabalhou em parceria com o ISQ no estudo da fiabilidade da fábrica de Cacia e otimizou e reduziu custos de manutenção, como explica Carlos Gonçalves, diretor de manutenção da unidade.

1 – Qual a importância do projeto de incremento da fiabilidade em Cacia? De que forma poderá contribuir para os objetivos corporativos na área da manutenção?

A concretização do aumento de capacidade produtiva na fábrica de Cacia, em 2015, para as 350 mil tAD/ano de pasta branqueada de eucalipto, teve como consequência novas exigências nos índices de disponibilidade (uptime) dos equipamentos fabris. A parceria com o ISQ surgiu assim como uma oportunidade. O projeto era ambicioso (pelo tempo de execução e os objetivos) e revelou-se um sucesso, na qualidade e rigor durante o projeto, e ao nível dos resultados obtidos: maior disponibilidade da zona piloto, otimização das atividades de manutenção preventiva e proativa e menores custos de manutenção.

2 – Como decorreu na prática esta colaboração?

Após a realização de um survey às instalações fabris, foi elaborado um plano de trabalhos e aplicação numa zona piloto da fábrica (A350). O plano previa 3 fases: organização e desenvolvimento no núcleo de fiabilidade; análise da criticidade dos equipamentos na zona piloto, com aperfeiçoamento do procedimento interno de criticidade; implementação do processo FRACAS.

3 – Como avalia a participação do ISQ neste projeto? Quais foram as principais vantagens?

A parceria entre o ISQ e a Navigator vem de longa data, normalmente associada à metrologia, ensaios ou análises e inspeções técnicas. A metodologia FRACAS demonstrou ser uma ferramenta adequada para o desenvolvimento das atividades de manutenção preventiva e proativa em ambientes industriais. O resultado deste projeto de estudo de fiabilidade na fábrica de Cacia confirmou a robustez da técnica (FRACAS) e competência dos colaboradores do ISQ nesta matéria.

Por Paula Branco, Responsável de Fiabilidade, Disponibilidade, Manutenibilidade e Segurança (RAMS) da Navigator Company

 

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