ISQ NO SECTOR DA AERONÁUTICA E AEROESPACIAL

Hoje, no , é comum cruzarmo-nos com diferentes trabalhos em curso para o sector da aeronáutica e espaço. Este tipo de atividades tem despertado o interesse dos média portugueses pelo . E num livro editado este ano pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, intitulado “Portugal e o Espaço”, o surge referenciado nesta área com algum detalhe.
Este é o resultado de um trabalho de vários anos, de uma equipa diversificada e altamente qualificada em áreas de elevada complexidade tecnológica e organizacional, que permitiu ao  granjear nome e sucesso no sector, dentro e fora do país.

 

As atividades no âmbito do sector da aeronáutica e espaço começaram no início do século e têm crescido de forma tq02_page_07_image_0001sustentada, ganhando visibilidade dentro e fora do . Só no último ano houve amplo destaque, interno e externo, a um conjunto de projetos que contaram e contam com o envolvimento do , nomeadamente:

  • O lançamento e recuperação, com sucesso, do veículo espacial , bem como a conclusão do primeiro projeto de Life Cycle Assessment, ambos tendo como cliente final a Agência Espacial Europeia (ESA – European Space Agency);
  • O arranque dos ensaios de desenvolvimento na semi-asa da Embraer;
  • A participação na construção do maior telescópio óptico do mundo, o E-ELT (European Extremely Large Telescope), do Observatório Europeu do Sul (ESO – European Southern Observatory).

Mas a atividade neste sector não se resume ao que tem sido mais falado. Em paralelo existem múltiplos trabalhos em curso para as diferentes vertentes deste sector, sejam eles:

•  A produção industrial aeronáutica;

• O aéreo;

• A manutenção e reparação de aeronaves;

• A exploração e construção de aeroportos;

• O espacial;

•  O desenvolvimento de tecnologia para quase todos estes subsectores.

Praticamente todos os departamentos do têm desenvolvido atividades para pelo menos um desses subsectores. Muitos dos recursos humanos do já dedicaram uma parte do seu trabalho ao sector da aeronáutica e espaço. Por seu lado, quanto aos clientes, uma parte significativa ou é estrangeira ou está incorporada em cadeias de fornecimento internacionais. Acima de tudo, todo este sector está em franco crescimento.

No atual panorama económico mundial, este é um dos sectores cujas perspetivas de crescimento se mantêm robustas.

Vamos procurar contar a história do caminho percorrido até aqui.

O início da história arranca com dois acontecimentos quase simultâneos: o contrato para o para o Quality Assurance/Quality Control (QA/QC) do Large Hadron Collider (LHC) do Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN) e a adesão de Portugal à ESA.

O primeiro demonstrou que o pode ocupar com mérito um lugar em arenas internacionais de elevadíssima exigência técnica e organizacional; o segundo abriu caminho para a espacial e daí para outros sectores com sinergias evidentes.

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Em 2003, graças a uma parceria com a francesa APAVE, o começou a prestar serviços de QA/QC no Centro Espacial Europeu (CSG), na Guiana Francesa. Rodrigo Cunha foi o primeiro colaborador do a ir para o CSG, onde estivemos três anos, abrindo caminho para todos os outros trabalhos que se seguiram.

Ainda assistimos ao lançamento do Ariane 5, que levou a missão Roseta que se tornou mundialmente conhecida dez anos depois. Muitos dos colegas que mais tarde foram para o CSG tinham passado previamente pelo CERN, onde já se tinham habituado a uma forma e de trabalho com muitas semelhanças com o que depois foram encontrar. Alguns deles, depois de saírem do CSG, foram para projetos com níveis de exigência semelhantes, tais como o (International Ther-monuclear Experimental Reactor) e o Petroleum Institute.

Dois anos mais tarde, o começou a trabalhar para a ESA em atividades de desenvolvimento de tecnologia. Começámos com um conjunto de pequenos trabalhos de prestação de serviços para o desenvolvimento de tecnologia nas áreas dos materiais, e ensaios e metrologia para o ESTEC, o que a ESA tem na Holanda onde concentra as atividades de desenvolvimento de materiais, sistemas e hardware de voo. Este trabalho assenta num contrato de prestação de serviços com atividades de desenvolvimento de tecnologia. Foi também um primeiro passo na aprendizagem do processo de gestão e desenvolvimento de tecnologia da ESA.

Por esta altura o governo português decidiu alargar a sua participação na ESA ao programa opcional dedicado ao desenvolvimento dos futuros veículos espaciais, o programa Future Launchers Preparatory Programme. Esta decisão abriu a porta às empresas e à academia portuguesas aos grandes integra-dores europeus que estavam a desenvolver os veículos espaciais do futuro.

COMO TUDO SE ACELEROU A PARTIR DE 2008

Em 2008 tivemos os primeiros contactos com a Thales Alenia Space (TAS).

Deste processo resultou a participação do num projeto de desenvolvimento de um escudo térmico metálico. Uma parte importante da nossa participação neste projeto implicava a realização de testes em alto vácuo, alta temperatura e utilização simultânea de atuadores mecânicos.

Desenvolvemos, com a Aralab e o nosso Laboratório de Ensaios de Termodinâmica e Aeroespaciais (LABET), uma câmara de vácuo capaz de realizar com sucesso este trabalho para a TAS.Nesse período tivemos também os primeiros contactos com a Snecma Propulsion Solide, que entretanto se passou a chamar Herakles (Grupo SAFRAN), com quem criámos uma parceria para o desenvolvimento de tecnologias de proteção térmica para o veículo .

tq02_page_07_image_0003Era ainda necessário desenvolver muita tecnologia e fabricar o veículo que só viria a voar muito mais tarde, em 2015.

Começámos por nos focar no mesmo tipo de trabalho que tínhamos feito alguns meses antes para a TAS, ou seja a determinação de propriedades termodinâmicas de materiais e ensaios na câmara de vácuo, realizados no nosso LABET. Porém, todo este trabalho teve que ser interrompido devido ao incêndio que em setembro de 2010 destruiu inteiramente as instalações de Castelo Branco do .

Este foi um período muito complicado, não só porque foi preciso recuperar o tempo perdido, como também manter a confiança dos clientes na nossa capacidade de cumprir os objetivos com que nos tínhamos comprometido e de manter prazos e orçamentos. Felizmente conseguimos manter essa confiança e obter resultados com qualidade. Para isso ajudou igualmente o facto de termos a decorrer, em paralelo, outra campanha de ensaios, também para o , nas nossas instalações de Oeiras. Em Oeiras estávamos igualmente a fazer algo de muito parecido com o que tínhamos feito anteriormente para a TAS: ensaios mecânicos, alguns a alta temperatura, em parafusos e em pequenas peças metálicas.

Daqui partimos para a integração destas pequenas peças em painéis em material compósito, fabrica-dos pelo nosso cliente, e avançámos para a realização de ensaios para a caracterização dinâmica destes conjuntos utilizando os shakers do nosso Laboratório Ensaios de Equipamentos Elétricos (LABEL) em Oeiras.

Este era um trabalho que tinha características totalmente novas para o . Havia trabalhos de colagem de sensores no material compósito e a utilização de vários acelerómetros tri-axiais para aquisição de dados.  Trabalhámos em parceria desta vez com o IDMEC-IST. Apesar das vicissitudes e de todas as novidades introduzidas, todas estas campanhas realizadas em Castelo Branco e em Oeiras foram um sucesso.A par destes trabalhos, durante estes anos fomos também crescendo em Portugal e no CSG (Guiana Francesa).

Entretanto fomos novamente desafiados pela TAS para um trabalho bastante mais ambicioso.

Desta vez, o que estava em cima da mesa era o desenvolvimento de um novo painel exterior para o último andar do lançador Ariane 5. Neste projeto começámos por validar as características físicas de diferentes materiais e por fazer testes mecânicos em pequenas peças, depois passámos a trabalhar em peças mais complexas, que incluíam vários componentes, e fomos até à realização dos ensaios dinâmicos de qualificação de um painel completo. A possibilidade de realizar ensaios dinâmicos num painel de grandes dimensões veio acelerar a decisão de reforçar a capacidade do de realização de ensaios dinâmicos, incluindo reforço de shakers.

NOVAS ÁREAS, NOVOS  SERVIÇOS DESDE 2011

Durante o ano de 2011 o começou a prestar serviços para as fábricas da Embraer, em Évora. Nessa altura, as fábricas ainda estavam a ser construídas e começámos por prestar serviços na área da segurança industrial, depois alargámos para várias áreas, desde os s de química, materiais e metrologia, à formação, diretiva máquinas, equipamentos de elevação, manutenção industrial, entre outras.

Nesse mesmo ano o foi convidado pela Embraer, em concorrência com duas outras entidades portuguesas, para apre-sentar uma proposta para a realização de um ambicioso programa de ensaios de desenvolvimento tecnológico para uma asa realizada em materiais compósitos.

Esse projeto foi adjudicado ao , envol-vendo seis áreas internas, para além de um parceiro externo, a Optimal Structural Solutions, referido anteriormente. O teve que complementar os recursos já existentes com um novo investimento numa infraestrutura para ensaios estruturais, financiada com fundos regionais de apoio, que ficou instalada no Castelo Branco.

Em 2012 o integrou a Direção da Associação Portuguesa da Indústria Ae-ronáutica – PEMAS. Nos anos seguintes a Associação dinamizou esforços para ir ao encontro das necessidades dos seus associados, procurou e conseguiu agregar as associações das áreas de Aeronáutica, Espaço e Defesa, donde resultou a criação da Federação AED, que juntou num espaço físico comum as três associações e dinamizou, numa lógica bottom-up, a em projetos coletivos e dinamizadores.

Em 2014 ganhámos um contrato com a ESA para realizar a Avaliação do Ciclo de Vida (LCA) de vários materiais e processos para a espacial, em parceria com uma empresa norueguesa. Trabalhámos em vários tratamentos de superfície, , maquinações, produção de tanques de combustível, materiais compósitos, fibra de vidro, etc. Este trabalho correu muito bem, conseguindo-se reforçar a parceria com os noruegueses e ganhando um segundo contrato de LCA, para a ESA, desta vez para os propelentes utilizados no espacial. Nesse ano arrancámos ainda com outro contrato, também para a ESA, com o objetivo de encontrar alternativas ao crómio hexavalente em ligas e materiais de utilização .

Ainda em 2014 as autoridades nacionais deram provas de reconhecer o trabalho desenvolvido pelo neste sector e convidaram-nos para ocupar duas posições de representação do Estado português na União Europeia: Delegado Nacional H2020 ao Programa Transportes na vertente aeronáutica e Delegado Nacional H2020 ao Programa Espaço.

 

PAULO ALEXANDRE CHAVES

PAULO ALEXANDRE CHAVES

RESPONSÁVEL PELO MERCADO AERONÁUTICA E ESPACIAL
PAULO ALEXANDRE CHAVES

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