Janeiro 2006



Entrevista "Tecnologia Qualidade", nº 54

Como se posiciona o ISQ para enfrentar os desafios inerentes ao Desenvolvimento Sustentável?

A sociedade em que vivemos caminha para uma situação em que é difícil manter a sustentabilidade, daí ser necessário mudar o paradigma actual. O ISQ quer estar na linha da frente desta mudança. O ISQ, no âmbito da reestruturação recente, criou especificamente uma Unidade para lidar com as questões do Desenvolvimento Sustentável (Unidade de Desenvolvimento Sustentável, UDS), que engloba serviços de Ambiente - em todos os seus descritores, de Energia - cada vez mais um problema mundial, e Português, dada a dependência externa, de Ruído - com um laboratório acreditado próprio, e outras, como a Área de Jogos, para a garantia do bom funcionamento de equipamento desportivos e parques infantis, bem como algumas áreas horizontais, como a coordenação comercial e gestão do mercado das autarquias, águas e saneamento e energia eólica.

Como pode a UDS contribuir para reduzir os problemas ambientais em Portugal?

O ISQ tem como missão apoiar as empresas privadas e o Estado português para alcançar soluções ambientalmente correctas. Na área do Ambiente, o ISQ tem a vantagem de cobrir todos os descritores ambientais, tendo competências na área do ar, águas, resíduos, ruído e solos, o que faz com que possa realizar diagnósticos ambientais a qualquer tipo de actividade económica, estudos ambientais, apoiar as empresas no âmbito do licenciamento industrial e licenças ambientais, e outros complementares, como o acompanhamento ambiental em obra, e apoio técnico à implementação de sistemas de gestão ambiental. No sector dos estudos de ambiente, temos tido importantes estudos para empresa portuguesas, como a PORTUCEL, ADP, PETROGAL ou API PARQUES. No âmbito do ruído e vibrações, podemos realizar estudos acústicos, incluindo mapas de ruído e soluções acústicas para a indústria nacional.
O ISQ como entidade pública sem fins lucrativos tem todas as condições para apoiar tecnicamente o Estado português nas áreas do ambiente e energia. Exemplos disso, e de sucesso, são o apoio que o ISQ presta ao Instituo dos Resíduos, no âmbito da adaptação dos aterros sanitários ao DL 152/2002 e o apoio ao Instituto do Ambiente no âmbito do EPER (Registo Europeu de Emissões Poluentes).

O sector da Energia vive tempos agitados e de mudança, onde se questionam soluções e caminhos para o futuro. Como se posiciona o ISQ?

O ISQ tem como dois grandes pilares na área da energia, aumentar a eficiência energética de edifícios e indústrias e ao mesmo tempo apoiar técnica e cientificamente o crescimento das energias renováveis em Portugal.
Na primeira vertente, o ISQ tem experiência em auditorias energéticas para permitir o aumento da eficiência energética, tanto para edifícios, como sejam os trabalhos recentes nos centros comerciais da SONAE, como para diversas indústrias, e está a preparar-se intensamente para poder fornecer um certificado energético dos edifícios no âmbito da transposição para o direito nacional da Directiva Europeia da certificação energética de edifícios, tendo para isso formado tecnicamente mais de quarenta colaboradores para poderem ser inspectores no âmbito da certificação energética de edifícios e qualidade do ar interior.
No segundo eixo, na área das energias renováveis, o ISQ tem trabalhado principalmente na energia eólica, nomeadamente em inspecção, realização de ensaios, intervenção no processo de AIA (Avaliação de Impacte Ambiental), mas também com a energia geotérmica, hidrogénio, biodiesel e biogás.

A sua unidade engloba um grupo denominado Áreas de Jogo. Que competências tem o ISQ nesta área?

O ISQ tem duas intervenções nesta área: os equipamentos desportivos e os parques infantis.
Na área dos equipamentos desportivos o ISQ tem uma acreditação concedida pelo IPAC (Instituto Português Acreditação), constituindo-se como um Organismo de Inspecção, que consiste na verificação das condições de equipamentos desportivos como sejam as balizas de futebol, futsal, andebol, hóquei em patins, hóquei em campo, pólo aquático ou as tabelas de basquetebol. O país presenciou alguns acidentes graves no passado recente com balizas e portanto esta área reveste-se de um factor importante de segurança.
No âmbito dos parques infantis, o ISQ está preparado para verificar as condições de segurança de todos os equipamentos existentes em parques infantis. Como todos os pais sabem é de extrema importância a segurança dos seus filhos em parques e áreas de recreio infantil, públicas ou privadas.

O ISQ tem já mais de 25% da sua actividade fora de Portugal. Em que medida a UDS também se está a internacionalizar?

A UDS aposta forte na Internacionalização, apoiando-nos nas delegações que já existem em Angola, Brasil, China, Cuba, França ou México. Temos trabalhos importantes a decorrer em Angola, nomeadamente todo o apoio técnico do planeamento e construção do novo Laboratório Central da SONANGOL e uma panóplia de estudos, onde se destacam a colaboração técnica à SONANGOL em diversas áreas, e a realização de estudos de impacte ambiental, estudos de remediação de solos contaminados e monitorização ambiental.
No âmbito de projectos de assistência técnica EuropAid, estamos pré-qualificados para a realização de estudos ambientais e apoio técnico.
O ISQ integra ainda a entidade C3P (Center for Pollution Prevention Program), constituída também pelo INEGI e a pela americana ITB Inc., reconhecida pelos Governos Português e Norte-Americano, para a cooperação técnica e científica. O ISQ através do C3P trabalha conjuntamente com a NASA no sentido de procurar soluções ambientalmentre correctas para o tecido industrial português, nomeadamente na área da redução da emissão dos compostos orgânicos voláteis.

O ISQ promove um contínuo enfoque nas actividades de I&D. De que forma está presente a I&D neste sector?

Nesta área, o ISQ já trabalhou em cerca de quarenta projectos de I&D europeus e nacionais, estando actualmente envolvido em dezassete projectos. São essencialmente projectos com intervenção directa sobre a monitorização e controlo de processos industriais (especialmente os que resultaram na implementação de soluções ambientalmente mais correctas para a indústria nacional), participação em redes temáticas em áreas de excelência e projectos de gestão de recursos naturais, nomeadamente recursos hídricos.
Destacam-se os projectos de investigação aplicada, com protótipos, nomeadamente o WWTREAT em que trabalhamos com uma ETAR piloto e no AGRO, em que trabalhamos com biodigestores na maximização de produção de biogás.
Outros projectos, como o TRESOR (técnicas de remediação de solos contaminados) e o FRIENDCOPTER (helicóptero com produção de ruído controlada), são também de realçar pela sua relevância actual. Na área da Energia temos também projectos importantes, nomeadamente na eficiência energética de edifícios (BESTFAÇADE, em edifícios com fachadas de dupla pele) e na energia eólica (WINDTECHKNOW).

Como pretende desenvolver a coordenação comercial e gestão do mercado das autarquias e das águas e saneamento?

Estas são áreas de elevado crescimento e o ISQ é uma entidade única, porque consegue, horizontalmente, abranger diversas áreas técnicas por forma a garantir uma maior fiabilidade dos avultados investimentos que se vão efectuar, a nível do projecto, da construção e da exploração.

E como se perspectiva o futuro da UDS?

Encaro o futuro com optimismo dado que as questões relacionadas com o Desenvolvimento Sustentável estão a ter um protagonismo na nossa sociedade, que será a base para se poderem implementar as soluções técnicas mais apropriadas, como as defendidas pelo ISQ. O Mercado do Carbono é um bom exemplo da seriedade com que as questões da sustentabilidade estão actualmente a ser tratadas, quer nas agendas políticas quer nas prioridades dos agentes económicos.
O ISQ continuará a desenvolver novas capacidades e serviços inovadores, tendo como base os seus recursos humanos altamente qualificados e da investigação aplicada que o caracteriza. Contamos desta forma poder continuar a crescer através do apoio técnico rigoroso que prestamos ao Estado e à indústria portuguesa, bem como de uma ainda maior internacionalização dos nossos serviços.

 


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