Entrevista
"Tecnologia Qualidade",
nº 54
Como
se posiciona o ISQ para enfrentar os desafios inerentes ao Desenvolvimento
Sustentável?
A sociedade em que vivemos caminha para uma situação
em que é difícil manter a sustentabilidade, daí
ser necessário mudar o paradigma actual. O ISQ quer estar na
linha da frente desta mudança. O ISQ, no âmbito da reestruturação
recente, criou especificamente uma Unidade para lidar com as questões
do Desenvolvimento Sustentável (Unidade de Desenvolvimento
Sustentável, UDS), que engloba serviços de Ambiente
- em todos os seus descritores, de Energia - cada vez mais um problema
mundial, e Português, dada a dependência externa, de Ruído
- com um laboratório acreditado próprio, e outras, como
a Área de Jogos, para a garantia do bom funcionamento de equipamento
desportivos e parques infantis, bem como algumas áreas horizontais,
como a coordenação comercial e gestão do mercado
das autarquias, águas e saneamento e energia eólica.
Como
pode a UDS contribuir para reduzir os problemas ambientais em Portugal?
O
ISQ tem como missão apoiar as empresas privadas e o Estado
português para alcançar soluções ambientalmente
correctas. Na área do Ambiente, o ISQ tem a vantagem de cobrir
todos os descritores ambientais, tendo competências na área
do ar, águas, resíduos, ruído e solos, o que
faz com que possa realizar diagnósticos ambientais a qualquer
tipo de actividade económica, estudos ambientais, apoiar as
empresas no âmbito do licenciamento industrial e licenças
ambientais, e outros complementares, como o acompanhamento ambiental
em obra, e apoio técnico à implementação
de sistemas de gestão ambiental. No sector dos estudos de ambiente,
temos tido importantes estudos para empresa portuguesas, como a PORTUCEL,
ADP, PETROGAL ou API PARQUES. No âmbito do ruído e vibrações,
podemos realizar estudos acústicos, incluindo mapas de ruído
e soluções acústicas para a indústria
nacional.
O ISQ como entidade pública sem fins lucrativos tem todas as
condições para apoiar tecnicamente o Estado português
nas áreas do ambiente e energia. Exemplos disso, e de sucesso,
são o apoio que o ISQ presta ao Instituo dos Resíduos,
no âmbito da adaptação dos aterros sanitários
ao DL 152/2002 e o apoio ao Instituto do Ambiente no âmbito
do EPER (Registo Europeu de Emissões Poluentes).
O sector da Energia vive tempos agitados e de mudança, onde
se questionam soluções e caminhos para o futuro. Como
se posiciona o ISQ?
O ISQ tem como dois grandes pilares na área da energia, aumentar
a eficiência energética de edifícios e indústrias
e ao mesmo tempo apoiar técnica e cientificamente o crescimento
das energias renováveis em Portugal.
Na primeira vertente, o ISQ tem experiência em auditorias energéticas
para permitir o aumento da eficiência energética, tanto
para edifícios, como sejam os trabalhos recentes nos centros
comerciais da SONAE, como para diversas indústrias, e está
a preparar-se intensamente para poder fornecer um certificado energético
dos edifícios no âmbito da transposição
para o direito nacional da Directiva Europeia da certificação
energética de edifícios, tendo para isso formado tecnicamente
mais de quarenta colaboradores para poderem ser inspectores no âmbito
da certificação energética de edifícios
e qualidade do ar interior.
No segundo eixo, na área das energias renováveis, o
ISQ tem trabalhado principalmente na energia eólica, nomeadamente
em inspecção, realização de ensaios, intervenção
no processo de AIA (Avaliação de Impacte Ambiental),
mas também com a energia geotérmica, hidrogénio,
biodiesel e biogás.
A sua unidade engloba um grupo denominado Áreas de Jogo.
Que competências tem o ISQ nesta área?
O ISQ tem duas intervenções nesta área: os equipamentos
desportivos e os parques infantis.
Na área dos equipamentos desportivos o ISQ tem uma acreditação
concedida pelo IPAC (Instituto Português Acreditação),
constituindo-se como um Organismo de Inspecção, que
consiste na verificação das condições
de equipamentos desportivos como sejam as balizas de futebol, futsal,
andebol, hóquei em patins, hóquei em campo, pólo
aquático ou as tabelas de basquetebol. O país presenciou
alguns acidentes graves no passado recente com balizas e portanto
esta área reveste-se de um factor importante de segurança.
No âmbito dos parques infantis, o ISQ está preparado
para verificar as condições de segurança de todos
os equipamentos existentes em parques infantis. Como todos os pais
sabem é de extrema importância a segurança dos
seus filhos em parques e áreas de recreio infantil, públicas
ou privadas.
O ISQ tem já mais de 25% da sua actividade fora de Portugal.
Em que medida a UDS também se está a internacionalizar?
A UDS aposta forte na Internacionalização, apoiando-nos
nas delegações que já existem em Angola, Brasil,
China, Cuba, França ou México. Temos trabalhos importantes
a decorrer em Angola, nomeadamente todo o apoio técnico do
planeamento e construção do novo Laboratório
Central da SONANGOL e uma panóplia de estudos, onde se destacam
a colaboração técnica à SONANGOL em diversas
áreas, e a realização de estudos de impacte ambiental,
estudos de remediação de solos contaminados e monitorização
ambiental.
No âmbito de projectos de assistência técnica EuropAid,
estamos pré-qualificados para a realização de
estudos ambientais e apoio técnico.
O ISQ integra ainda a entidade C3P (Center for Pollution Prevention
Program), constituída também pelo INEGI e a pela americana
ITB Inc., reconhecida pelos Governos Português e Norte-Americano,
para a cooperação técnica e científica.
O ISQ através do C3P trabalha conjuntamente com a NASA no sentido
de procurar soluções ambientalmentre correctas para
o tecido industrial português, nomeadamente na área da
redução da emissão dos compostos orgânicos
voláteis.
O ISQ promove um contínuo enfoque nas actividades de I&D.
De que forma está presente a I&D neste sector?
Nesta área, o ISQ já trabalhou em cerca de quarenta
projectos de I&D europeus e nacionais, estando actualmente envolvido
em dezassete projectos. São essencialmente projectos com intervenção
directa sobre a monitorização e controlo de processos
industriais (especialmente os que resultaram na implementação
de soluções ambientalmente mais correctas para a indústria
nacional), participação em redes temáticas em
áreas de excelência e projectos de gestão de recursos
naturais, nomeadamente recursos hídricos.
Destacam-se os projectos de investigação aplicada, com
protótipos, nomeadamente o WWTREAT em que trabalhamos com uma
ETAR piloto e no AGRO, em que trabalhamos com biodigestores na maximização
de produção de biogás.
Outros projectos, como o TRESOR (técnicas de remediação
de solos contaminados) e o FRIENDCOPTER (helicóptero com produção
de ruído controlada), são também de realçar
pela sua relevância actual. Na área da Energia temos
também projectos importantes, nomeadamente na eficiência
energética de edifícios (BESTFAÇADE, em edifícios
com fachadas de dupla pele) e na energia eólica (WINDTECHKNOW).
Como pretende desenvolver a coordenação comercial
e gestão do mercado das autarquias e das águas e saneamento?
Estas são áreas de elevado crescimento e o ISQ é
uma entidade única, porque consegue, horizontalmente, abranger
diversas áreas técnicas por forma a garantir uma maior
fiabilidade dos avultados investimentos que se vão efectuar,
a nível do projecto, da construção e da exploração.
E como se perspectiva o futuro da UDS?
Encaro o futuro com optimismo dado que as questões relacionadas
com o Desenvolvimento Sustentável estão a ter um protagonismo
na nossa sociedade, que será a base para se poderem implementar
as soluções técnicas mais apropriadas, como as
defendidas pelo ISQ. O Mercado do Carbono é um bom exemplo
da seriedade com que as questões da sustentabilidade estão
actualmente a ser tratadas, quer nas agendas políticas quer
nas prioridades dos agentes económicos.
O ISQ continuará a desenvolver novas capacidades e serviços
inovadores, tendo como base os seus recursos humanos altamente qualificados
e da investigação aplicada que o caracteriza. Contamos
desta forma poder continuar a crescer através do apoio técnico
rigoroso que prestamos ao Estado e à indústria portuguesa,
bem como de uma ainda maior internacionalização dos
nossos serviços.
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