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Como se pode avaliar um projecto de e-Learning de uma forma global?
A oferta
de e-Learning depende essencialmente de quatro factores - contexto
de formação, formando, conteúdos e resultados
expectáveis - os quais influenciam o sucesso, a eficácia
e a qualidade da formação. Não menosprezando
o papel de cada um dos factores, a tónica deve ser no formando
na medida em que este assume o lugar de co-produtor do sucesso da
intervenção formativa, pois é a ele próprio
que cabe a tarefa de aprender. A aplicação de um modelo
de avaliação que acompanhe todo o processo formativo
desde a planificação à transmissão de
conhecimento, passando pelo desenvolvimento e pela implementação
contribui para a garantia da qualidade do projecto. Na fase de planificação
do projecto devemos avaliar o perfil dos destinatários e o
contexto organizacional em que vai ser aplicado recorrendo a métodos
qualitativos objectivados em inquéritos e técnicas como
a observação. Na fase de desenvolvimento, o foco deve
estar concentrado na análise da correspondência da solução
formativa aos requisitos dos destinatários e ao contexto de
aplicação, devendo ser sustentada na observação,
testes e listas de verificação. Na fase de implementação,
a avaliação deve focar-se em quatro níveis (Kirkpatrick,
1994) - Reacção, Aprendizagem, Comportamento e Resultados
- avaliados com recurso a métodos qualitativos e quantitativos
operacionalizados através de inquéritos, observações
e testes. No que se refere aos resultados, devemos avaliar em que
medida a solução de e-Learning contribuiu para responder
às necessidades formativas e qual o impacte desta intervenção
na organização e nos objectivos estratégicos
de negócio. A análise dos resultados deve ser sustentada
em métodos de cálculo de custos (rendibilidade), entrevistas
com os aprendentes e com as suas chefias directas e análise
de competências.
" Como se pode fazer, globalmente, a avaliação
das aprendizagens em e-Learning garantindo a sua fidelidade?
A metodologia
de avaliação de aprendizagem é semelhante no
e-Learning e nos contextos formativos convencionais - as duas metodologias
formativas diferem apenas na forma de disponibilização
dos conteúdos de aprendizagem. Deste modo, os momentos de avaliação
são comuns em ambas as abordagens, variando apenas na forma
como se recolhe a informação de suporte à avaliação.
No e-Learning, são várias as fontes de informação
que temos ao nosso dispor para garantir a fidelidade dos resultados
alcançados, como sejam os relatórios de acesso disponibilizados
pelos LMS, onde são contabilizados, entre outros aspectos,
os timings e duração do acesso aos conteúdos,
o número de interacções e as classificações
obtidas nas actividades associadas ao curso. Permitem uma gestão
individual da aprendizagem, antes, durante e no período pós-formativo,
facilitando a gestão do desempenho através da capacidade
de registo e armazenamento de interacções. Paralelamente,
o e-Learning introduz novas formas de avaliar com recurso a actividades
interactivas e fortemente apelativas, e com possibilidade de feedback
imediato promovendo a aprendizagem auto-regulada (self regulated learning).
Apesar das potencialidades destes novos dispositivos, a avaliação
da aprendizagem nestes ambientes ainda é um tema delicado,
pelo que continuamos à procura de soluções tecnológicas
mais avançadas de forma a atenuar possíveis fragilidades
deste sistema.
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Em sistemas de e-Learning, onde a componente colaborativa é
acentuada, de que forma se podem avaliar as aprendizagens?
Nestes
contextos, o processo de aprendizagem trespassa a simples relação
do formando com os conteúdos, sendo este frequentemente convidado
a interagir de forma activa com o grupo de aprendizagem. Desta forma,
num ambiente em que a interacção é permanente
e facilmente registada, a avaliação das aprendizagens
é facilitada pois temos uma noção precisa do
desempenho do formando, dos seus conhecimentos, potencialidades e
dificuldades. A performance do formando deve estar associada à
autonomia e capacidade criativa de utilizar os recursos tecnológicos
e humanos disponíveis nestes ambientes para obter informações
e construir conhecimento. A metodologia de avaliação
deve focar-se na qualidade e quantidade das interacções
com o sistema de aprendizagem e na capacidade que o formando demonstra
em utilizar o conhecimento que adquire na resolução
de situações concretas. Paralelamente, devemos avaliar
o impacte da experiência de aprendizagem colaborativa no indivíduo
e na forma como actua construtivamente na sociedade em que está
inserido.
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De que formas, as organizações podem medir eficazmente
o ROI, o valor e o impacto da implementação da formação
em contexto de e-Learning?
Os métodos
de cálculo do ROI são os mesmos, quer sejam aplicados
em contextos de e-Learning ou em contextos de formação
convencional. A primeira questão que se coloca quando se investe
numa solução de e-Learning é quanto vou poupar.
A análise do ROI não deve ser reduzida a esta questão,
pois em ambas as metodologias formativas existem custos inerentes.
Na formação convencional, temos custos com a logística
associada ao curso, com os formadores e com os formandos (que frequentemente
têm que se deslocar do posto de trabalho para ter acesso à
formação). Por outro lado, no e-Learning temos custos
como a tecnologia, as comunicações, o desenvolvimento
de conteúdos e os timings de acesso dos formandos ao mesmo.
Mais do que a redução de custos, a aposta no e-Learning
deve ter em conta dois importantes factores com impacto no ROI: a
eficiência e a velocidade. A eficiência da resposta formativa
está vinculada ao facto de o formando poder aprender o que
necessita, quando necessita e na altura em que tem maior disponibilidade
mental para o fazer. Em relação à velocidade,
o e-Learning permite fornecer respostas flexíveis, just-in-time
, facilmente controladas através dos LMS, a necessidades continuamente
emergentes nos actuais contextos organizacionais. Paralelamente, os
LMS facilitam a exportação do conhecimento organizacional,
fazendo crescer o valor intangível do e-Learning. Desta forma,
o tradicional conceito de ROI, tendencialmente focado na redução
de custos (mais facilmente quantificável), passa a focar-se
na criação de valor, ou seja, o retorno do investimento
em aspectos como a melhoria do nível da organização,
o posicionamento face à concorrência e o desenvolvimento
da capacidade de inovação e de resposta rápida
às imposições do mercado.
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