Janeiro 2006

 

" Como se pode avaliar um projecto de e-Learning de uma forma global?

A oferta de e-Learning depende essencialmente de quatro factores - contexto de formação, formando, conteúdos e resultados expectáveis - os quais influenciam o sucesso, a eficácia e a qualidade da formação. Não menosprezando o papel de cada um dos factores, a tónica deve ser no formando na medida em que este assume o lugar de co-produtor do sucesso da intervenção formativa, pois é a ele próprio que cabe a tarefa de aprender. A aplicação de um modelo de avaliação que acompanhe todo o processo formativo desde a planificação à transmissão de conhecimento, passando pelo desenvolvimento e pela implementação contribui para a garantia da qualidade do projecto. Na fase de planificação do projecto devemos avaliar o perfil dos destinatários e o contexto organizacional em que vai ser aplicado recorrendo a métodos qualitativos objectivados em inquéritos e técnicas como a observação. Na fase de desenvolvimento, o foco deve estar concentrado na análise da correspondência da solução formativa aos requisitos dos destinatários e ao contexto de aplicação, devendo ser sustentada na observação, testes e listas de verificação. Na fase de implementação, a avaliação deve focar-se em quatro níveis (Kirkpatrick, 1994) - Reacção, Aprendizagem, Comportamento e Resultados - avaliados com recurso a métodos qualitativos e quantitativos operacionalizados através de inquéritos, observações e testes. No que se refere aos resultados, devemos avaliar em que medida a solução de e-Learning contribuiu para responder às necessidades formativas e qual o impacte desta intervenção na organização e nos objectivos estratégicos de negócio. A análise dos resultados deve ser sustentada em métodos de cálculo de custos (rendibilidade), entrevistas com os aprendentes e com as suas chefias directas e análise de competências.


" Como se pode fazer, globalmente, a avaliação das aprendizagens em e-Learning garantindo a sua fidelidade?

A metodologia de avaliação de aprendizagem é semelhante no e-Learning e nos contextos formativos convencionais - as duas metodologias formativas diferem apenas na forma de disponibilização dos conteúdos de aprendizagem. Deste modo, os momentos de avaliação são comuns em ambas as abordagens, variando apenas na forma como se recolhe a informação de suporte à avaliação. No e-Learning, são várias as fontes de informação que temos ao nosso dispor para garantir a fidelidade dos resultados alcançados, como sejam os relatórios de acesso disponibilizados pelos LMS, onde são contabilizados, entre outros aspectos, os timings e duração do acesso aos conteúdos, o número de interacções e as classificações obtidas nas actividades associadas ao curso. Permitem uma gestão individual da aprendizagem, antes, durante e no período pós-formativo, facilitando a gestão do desempenho através da capacidade de registo e armazenamento de interacções. Paralelamente, o e-Learning introduz novas formas de avaliar com recurso a actividades interactivas e fortemente apelativas, e com possibilidade de feedback imediato promovendo a aprendizagem auto-regulada (self regulated learning). Apesar das potencialidades destes novos dispositivos, a avaliação da aprendizagem nestes ambientes ainda é um tema delicado, pelo que continuamos à procura de soluções tecnológicas mais avançadas de forma a atenuar possíveis fragilidades deste sistema.

" Em sistemas de e-Learning, onde a componente colaborativa é acentuada, de que forma se podem avaliar as aprendizagens?

Nestes contextos, o processo de aprendizagem trespassa a simples relação do formando com os conteúdos, sendo este frequentemente convidado a interagir de forma activa com o grupo de aprendizagem. Desta forma, num ambiente em que a interacção é permanente e facilmente registada, a avaliação das aprendizagens é facilitada pois temos uma noção precisa do desempenho do formando, dos seus conhecimentos, potencialidades e dificuldades. A performance do formando deve estar associada à autonomia e capacidade criativa de utilizar os recursos tecnológicos e humanos disponíveis nestes ambientes para obter informações e construir conhecimento. A metodologia de avaliação deve focar-se na qualidade e quantidade das interacções com o sistema de aprendizagem e na capacidade que o formando demonstra em utilizar o conhecimento que adquire na resolução de situações concretas. Paralelamente, devemos avaliar o impacte da experiência de aprendizagem colaborativa no indivíduo e na forma como actua construtivamente na sociedade em que está inserido.

" De que formas, as organizações podem medir eficazmente o ROI, o valor e o impacto da implementação da formação em contexto de e-Learning?

Os métodos de cálculo do ROI são os mesmos, quer sejam aplicados em contextos de e-Learning ou em contextos de formação convencional. A primeira questão que se coloca quando se investe numa solução de e-Learning é quanto vou poupar. A análise do ROI não deve ser reduzida a esta questão, pois em ambas as metodologias formativas existem custos inerentes. Na formação convencional, temos custos com a logística associada ao curso, com os formadores e com os formandos (que frequentemente têm que se deslocar do posto de trabalho para ter acesso à formação). Por outro lado, no e-Learning temos custos como a tecnologia, as comunicações, o desenvolvimento de conteúdos e os timings de acesso dos formandos ao mesmo. Mais do que a redução de custos, a aposta no e-Learning deve ter em conta dois importantes factores com impacto no ROI: a eficiência e a velocidade. A eficiência da resposta formativa está vinculada ao facto de o formando poder aprender o que necessita, quando necessita e na altura em que tem maior disponibilidade mental para o fazer. Em relação à velocidade, o e-Learning permite fornecer respostas flexíveis, just-in-time , facilmente controladas através dos LMS, a necessidades continuamente emergentes nos actuais contextos organizacionais. Paralelamente, os LMS facilitam a exportação do conhecimento organizacional, fazendo crescer o valor intangível do e-Learning. Desta forma, o tradicional conceito de ROI, tendencialmente focado na redução de custos (mais facilmente quantificável), passa a focar-se na criação de valor, ou seja, o retorno do investimento em aspectos como a melhoria do nível da organização, o posicionamento face à concorrência e o desenvolvimento da capacidade de inovação e de resposta rápida às imposições do mercado.


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