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Setembro 2008 © ISQ Outras notícias Tecnologia & Qualidade: A Formação Profissional está mais uma vez na ordem do dia, agora com mais um quadro comunitário de apoio à porta, o que criará enormes expectativas às equipas e entidades de Formação. Como está a área de Formação a posicionar-se para este novo ciclo? Sofia Borges de Araújo: O ISQ tem pautado a sua intervenção na Formação e Desenvolvimento de Recursos Humanos num conceito que hoje é considerado paradigma até dos apoios comunitários - a qualificação de pessoas com vista à certificação das suas competências. É neste contexto que reúne um número invejável de Acreditações, Homologações e Reconhecimentos pelas entidades tutelares das áreas profissionais, o que lhe permite conceber intervenções formativas adequadas às reais necessidades do mercado e dos agentes económicos. Assim, em antecipação ao advento do QREN/POPH, houve, por um lado, que reorganizar as equipas de técnicos e coordenadores de formação, de maneira a preparar uma equipa de projecto pró-activa, atenta às constantes novidades regulamentares e legislativas, incorporando de imediato as inovações na actividade de concepção e planeamento das intervenções formativas, enquanto as equipas de Gestão de Clientes e de Implementação mantinham a actividade a decorrer em normalidade, garantindo o nível de serviço que tem permitido incremento da taxa de fidelização. Por outro lado, foi desencadeado um plano de Imagem e Comunicação para disseminação alargada da informação sobre a actividade de largo espectro do Centro, e que inclui, entre outras acções, o lançamento, a nível nacional, de um Inquérito sobre necessidades de formação dos clientes do ISQ. TQ: Quando se fala em novidades regulamentares e legislativas, há de facto, uma grande mudança na forma de conceber e implementar acções de formação? A criação de uma relação inequívoca entre formação de dupla certificação e financiamento público implicará, sem dúvida, um maior rigor na aplicação dos fundos comunitários assim como uma valorização dos certificados de formação profissional. O Catálogo é, para todos os efeitos, um instrumento incontornável, pois congrega referenciais de formação e perfis profissionais, o que implicará na prática que todo o país utilize os mesmos conteúdos para qualificar futuros profissionais, cujos requisitos de certificação são os mesmos e orientados para um conjunto determinado de saídas profissionais. Diria pois, que os formandos e as entidades formadoras agradecem, mas este mecanismo só funcionará tal e qual como foi concebido se os agentes, em rede e parceria - empresas, entidades formadoras, instituições públicas,... - assumirem uma atitude de constante crítica construtiva, pois os perfis e os referenciais terão de se ajustar e reajustar às reestruturações organizacionais e conjunturais. Também aqui o ISQ poderá ter um papel interessante, pois a sua capacidade de leitura do mercado dota-o de um inesgotável potencial de antecipar as necessidades de competências do tecido empresarial. E as mudanças são efectivamente muito mais ao nível dos conceitos e prioridades do que ao nível das operações, porque organizar e gerir intervenções formativas não é hoje causa de qualquer tipo de problema. Conceber intervenções adequadas ao perfil dos participantes, adequar conteúdos, práticas e métodos pedagógicos à eficácia daquelas, de tal forma que se possam certificar competências à saída da acção de formação, isso sim, é o núcleo duro desta actividade. E é para garantir um elevado ROI da formação que as políticas nacionais exigem novas regulamentações. No ISQ estas preocupações existem há muito, pois rigor e eficácia consubstanciam a sua missão e estratégia. TQ: Será então expectável que essas adaptações de que fala, ou as novidades regulamentares, impliquem alterações na oferta formativa do Centro de Formação? SBA: Na realidade, não. A oferta formativa vai continuar a suportar-se nas grandes áreas tecnológicas já quase tradicionais aqui: Energia, Segurança, Soldadura e Qualidade. Em todas as áreas cumprimos as prioridades da dupla certificação, seja oferecendo cursos EFA de nível II e III (Educação e Formação de Adultos) ou CET de nível IV (Cursos de Especialização Tecnológica). Por outro lado, manteremos as Pós-Graduações, a formação contínua certificante e a oferta de produtos de marca própria, como o Passaporte de Segurança. As grandes inovações ocorrerão porventura na gama da oferta, ou seja, a actividade do Centro de Formação não se resume a intervenções formativas, mas abrange igualmente a consultoria, numa lógica de serviços integrados, pois a criação de uma relação necessária de causa-efeito entre a eficácia da formação e o ROI carece de uma indexação da matriz de competências em falta numa dada organização, à estratégia de crescimento e de viabilidade da mesma. Este tipo de serviço exige o trabalho em equipa de técnicos das áreas de gestão das organizações em completo alinhamento com os responsáveis das empresas dando azo a planos de formação consistentes com as reais necessidades de qualificações dessas empresas. Tem-se verificado que o Diagnóstico de Necessidades de Formação é, juntamente com a Avaliação das intervenções formativas, um dos domínios mais frágeis do ciclo formativo, pelo facto da sua aplicação não ser generalizada e sistematizada, com implicações directas na estruturação de planos de formação baseados na oferta. Enquanto processo de identificação de carências, entre o perfil de competências requerido e o actual, as necessidades de formação devem orientar-se para o futuro, na procura constante de necessidades potenciais, tendo em conta as mudanças tecnológicas e os novos modelos organizacionais. Neste contexto, um dos critérios de apreciação das candidaturas no âmbito do POPH, incide precisamente na relevância estratégica das acções de formação propostas, tal como no seu cariz certificante. Por outro lado, haverá sempre que adaptar persistentemente e numa lógica de melhoria contínua a capacidade instalada, pelo que os investimentos em instalações e equipamentos, nas áreas tecnológicas mencionadas como nas TIC ou outras, estão já a ser equacionados e irão sendo efectuados à medida do aparecimento de inovações tecnológicas ou da resposta antecipada às expectativas dos clientes - formandos e empresas. TQ: Como perspectiva, em concreto, e já que é mencionado reiteradamente, a adaptação da oferta formativa ao Catálogo Nacional de Qualificações? SBA: Veja a Soldadura, por exemplo. À semelhança de todos os referenciais e saídas profissionais previstas no Catálogo, suporta-se de um esquema de unidades modulares capitalizáveis e percursos individualizados de formação, dando origem a um modelo flexível de organização em que se facilita o acesso dos participantes a diferentes percursos de aprendizagem, bem como a mobilidade entre níveis de qualificação. Esta organização favorece o reingresso em diferentes momentos no ciclo de aprendizagem, em resposta às necessidades exigidas por um mercado de trabalho em permanente mutação. Por outro lado, esta flexibilização possibilita a construção de percursos formativos de composição e duração variáveis, conducentes à obtenção de qualificações completas ou de construção progressiva, reconhecida e autónoma. Esta é sem dúvida a principal mais valia introduzida através deste referencial de formação na área da soldadura que, até à data, tinha como único reconhecimento o da chamada Qualificação dos Soldadores e que vai beber de forma inequívoca à estrutura da Formação e Certificação EWF (Federação Europeia de Soldadura) tradicional e um must, per se, no ISQ. A Soldadura é também a área onde a capitalização de experiências no que concerne ao Balanço de Competências e validação das mesmas, efectuadas em momentos prévios aos da participação em formação, é mais evidente, pois é prática institucionalizada o diagnóstico de competências à entrada, o desenvolvimento da acção e avaliação conducente a qualificação e certificação completamente individualizados. E é também prática transversal, pois existe, quer essa formação seja desenvolvida no Centro de Formação no âmbito de um EFA, no âmbito de uma formação contínua ou na empresa, à medida do seu projecto de investimento apoiado ou não por um PRIME ou POFC - Programa Operacional Factores de Competitividade. É também a área onde se vislumbra toda a aplicabilidade da Caderneta de Competências Individual, outro instrumento em vias de regulamentação e que vai permitir compilar e registar toda as competências de um indivíduo, conseguidas por via da formação ou por via de um processo RVCC escolar ou PROfissional. TQ: O ISQ irá conduzir processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências Profissionais? SBA: No âmbito da actividade do Centro Novas Oportunidades, o Centro de Formação Norte apresentou, em resposta a um convite da Agência Nacional para a Qualificação, uma demonstração de interesse em operacionalizar processos de RVCC PRO para 6 saídas profissionais: Assistente Administrativo, Técnico de Obra, Condutor Manobrador de Equipamentos de Movimentação de Terras, Electromecânico de Refrigeração e Climatização - Sistemas Doméstico e Comerciais, Operador de Informática e Técnico de Comunicações. Identificámos estas áreas, dentro do leque disponibilizado pela ANQ, por entendermos que existe capacidade instalada a todos os níveis: Recursos Físicos e Humanos, conhecimento das áreas, mercado. Claro que o ponto de partida é o da pré-existência de um Centro Novas Oportunidades desde 2003. As formas de organização dos CNO, lógicas, métodos de trabalho e tipologias de equipas, são em tudo diferentes das de um Centro de Formação, mas a co-existência permite ter uma visão macro e bastante precisa do mercado de trabalho, da procura de qualificações pelos agentes económicos, as lacunas nas ofertas de formação face àquelas, etc., o que permite organizar e gerir um e outro numa lógica coerente e consistente de optimização de recursos e de eficácia e eficiência dos esforços. Penso, pois, que fará todo o sentido prosseguir com processos RVCC PRO, o que possibilitará completar o ciclo de intervenção de uma estrutura de formação especificamente orientada para a certificação de pessoas. TQ: Mencionou os Cursos de Especialização Tecnológica. São também uma prioridade? SBA: A formação de dupla certificação - escolar e profissional - nomeadamente no que diz respeito à tipologia de Cursos de Especialização Tecnológica (CET), enquanto formações de nível IV, pretendem valorizar o ensino pós-secundário não superior, dotando o tecido económico português de um perfil de quadros intermédios, ainda com fraca representatividade nacional. É uma prioridade nacional, do POPH e portanto também do ISQ. Esta é uma área de intervenção que obriga à dinamização de parcerias com Instituições do Ensino Superior e a um olhar atento às influências do Tratado de Bolonha, questões já incorporadas na actividade do Centro de Formação. Pelo que, se não surgirem impedimentos no âmbito do POPH, o Centro de Formação passará a contemplar na oferta CETs nas áreas da Energia, Segurança e Construção Civil. TQ: Bom, existe sem dúvida um grande optimismo em torno tanto do novo quadro comunitário como da nova regulamentação. E receios? SBA: Como mandam os especialistas, a ideia será transformar todas as ameaças em oportunidades... O Centro de Formação tem mantido um volume anual de proveitos muito perto dos 2 M€, nos últimos 4 anos, sendo que, em 2007, registou uma actividade suportada em cerca de 50% pela formação integrada em programas operacionais e os outros 50% em prestação de serviços a clientes. Realizaram-se cerca de 435 acções de formação com 7.670 participantes, foram certificados 254 adultos com o nível básico, no CNO, e a equipa de ambos os Centros envolve 37 colaboradores. Estes dados da actividade têm um significado: 40% na Direcção de Formação do ISQ e 30% do total das actividades desenvolvidas pelo ISQ na Delegação Norte. A conjuntura parece estar de feição pois, se por um lado, o Programa Operacional Potencial Humano, assim como também os outros, privilegiam as questões relacionadas com a formação e certificação de pessoas, o mercado, por outro, tem reagido muito positivamente à mesma problemática. O Centro de Formação reúne pois todas as condições para ter um interessante novo ciclo de actividade, até porque se preparou durante 2007, em análises prospectivas e planeamento, para poder afirmar com Sun Tzu "Aquele que se empenha a resolver as dificuldades, resolve-as antes que elas surjam".
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