Como o Grupo Sondar ajudou a transformar a monitorização ambiental em Portugal
Os setores tecnológicos evoluem normalmente em resposta a alterações legislativas, novas exigências dos clientes ou avanços científicos. Contudo, existem organizações que seguem um percurso diferente: investem antes de existir procura, desenvolvem competências antes de surgirem obrigações e criam capacidade técnica muito antes de o mercado reconhecer a sua necessidade.
O percurso do Grupo Sondar enquadra-se nesta realidade. E isto é um case Study mais serio, porque teve inicio e não terá fim.
Quando iniciou atividade, no final da década de noventa, a monitorização ambiental em Portugal encontrava-se ainda numa fase de consolidação, para ser bondoso. Era um embrião que nós ajudamos a criar e cuidar. A acreditação laboratorial era excecional, a harmonização metodológica era reduzida e a inovação tecnológica tinha ainda pouca expressão operacional.
Ao longo dos vinte e cinco anos seguintes, o Grupo investiu de forma continuada em acreditação, metrologia, desenvolvimento tecnológico, investigação aplicada e formação especializada. Muitas das soluções implementadas surgiram vários anos antes de se tornarem uma exigência legal ou uma necessidade reconhecida pelo mercado.
Hoje, a Sondar, a Sondarlab e a LCM Ibéria constituem uma das mais completas estruturas nacionais dedicadas à monitorização ambiental, reunindo competências em ensaios laboratoriais acreditados, monitorização contínua, metrologia aplicada, modelação ambiental, investigação e desenvolvimento tecnológico.
Mais do que acompanhar a evolução do setor, o Grupo ajudou a construí-la.
O CONTEXTO
No final da década de noventa, a monitorização ambiental portuguesa apresentava ainda reduzido grau de maturidade técnica.
O enquadramento legal assentava essencialmente num decreto-lei pilar e na portaria n.º 256/93, que definia basicamante os VLE e a acreditação de laboratórios segundo a NP EN ISO/IEC 17025 estava longe de constituir uma prática corrente.Não era obrigatíoria.Em muitos casos, a qualidade dos resultados dependia sobretudo da experiência dos operadores e da utilização de metodologias próprias, sem mecanismos consistentes de harmonização ou demonstração objetiva da competência técnica.
Ao mesmo tempo, começavam a surgir, a nível europeu, sinais claros de mudança. As futuras diretivas ambientais apontavam para requisitos cada vez mais exigentes em matéria de rastreabilidade metrológica, comparabilidade de resultados e acreditação laboratorial.
Perante este cenário, existiam duas possibilidades: esperar que a legislação evoluísse ou preparar antecipadamente a organização para esse futuro.
A Sondar escolheu a segunda.
INVESTIR QUANDO AINDA NÃO ERA NECESSÁRIO
O primeiro ensaio foi realizado em 1999.
Dois anos depois, em 2001, o laboratório obtinha a acreditação segundo a NP EN ISO/IEC 17025.
Na época, esta decisão representava um investimento significativo em recursos humanos, equipamentos, procedimentos e sistemas de gestão da qualidade, sem que existisse uma obrigação legal que justificasse esse esforço.
Tratava-se de uma opção estratégica baseada numa convicção simples: mais cedo ou mais tarde, a monitorização ambiental deixaria de assentar apenas na experiência dos técnicos para passar a exigir competência demonstrada, métodos validados e resultados tecnicamente comparáveis.
Os acontecimentos vieram confirmar essa visão, 17 anos depois.
À medida que a regulamentação europeia foi sendo transposta para a legislação nacional, aquilo que inicialmente parecia uma aposta de elevado risco transformou-se numa vantagem competitiva sólida.
Quando muitos operadores iniciavam processos de adaptação, o Grupo Sondar encontrava-se já preparado.
QUANDO A LEGISLAÇÃO CONFIRMOU A VISÃO
Ao longo das duas décadas seguintes, sucessivos diplomas nacionais e europeus reforçaram progressivamente os requisitos técnicos aplicáveis à monitorização ambiental.
A acreditação laboratorial passou a constituir um elemento essencial da credibilidade dos resultados. As metodologias normalizadas tornaram-se obrigatórias e a rastreabilidade metrológica passou a ser condição indispensável para garantir a comparabilidade dos dados.
Para muitas organizações, estas alterações implicaram investimentos profundos e processos complexos de reorganização.
Para o Grupo Sondar, representaram sobretudo a confirmação de um caminho iniciado muitos anos antes.
A empresa não alterou a sua estratégia para acompanhar a legislação.
Foi a evolução da legislação que acabou por validar a estratégia que o Grupo vinha a desenvolver desde o início da sua atividade.
INOVAÇÃO COMO FORMA DE ANTECIPAR O MERCADO
A visão do Grupo nunca se limitou à acreditação laboratorial.
Paralelamente, desenvolveu tecnologia própria, investiu em investigação aplicada, incorporou sensores, soluções digitais e equipamentos capazes de disponibilizar resultados em tempo real, numa altura em que essa abordagem era ainda pouco comum em Portugal, no caso do nosso setor inexistente.
Esta evolução alterou a forma como muitos clientes passaram a utilizar a monitorização ambiental.
Os dados deixaram de servir apenas para demonstrar conformidade regulamentar e passaram igualmente a apoiar decisões operacionais imediatas, permitindo uma gestão ambiental mais eficiente, preventiva e baseada em informação em tempo real.
Esta capacidade de antecipação constituiu um dos fatores diferenciadores do Grupo e permitiu posicioná-lo na linha da frente da transformação tecnológica do setor.
DESENVOLVER UM SETOR, NÃO APENAS UMA EMPRESA
O impacto do Grupo Sondar ultrapassa largamente a dimensão da sua atividade empresarial.
Ao longo do seu percurso foram formados mais de sessenta e cinco técnicos especializados, muitos dos quais vieram posteriormente a desempenhar funções relevantes noutras empresas, laboratórios e entidades públicas.
Este contributo para a qualificação dos recursos humanos permitiu aumentar a capacidade técnica instalada no setor da monitorização ambiental em Portugal.
Em paralelo, o Grupo participou ativamente em organismos ligados à acreditação, metrologia, qualidade e normalização, integrando, entre outros, a Comissão Consultiva do IPAC, a Comissão Técnica para a Acreditação de Laboratórios (CTAL), a Comissão Setorial do Ar Ambiente e Efluentes Gasosos , a RELACRE e a Sociedade Portuguesa de Metrologia.
Esta participação permitiu contribuir para a definição de critérios técnicos, harmonização de metodologias laboratoriais e disseminação de conhecimento científico, desempenhando um papel ativo na evolução das práticas nacionais.
O GRUPO SONDAR HOJE
O projeto iniciado em 1998 evoluiu para um grupo empresarial constituído pela Sondar, Sondarlab e LCM Ibéria, capaz de responder de forma integrada às necessidades da monitorização ambiental moderna.
A combinação de laboratórios acreditados, competências de engenharia, metrologia, investigação aplicada e desenvolvimento tecnológico permite atualmente oferecer soluções que abrangem todo o ciclo da monitorização ambiental.
Indicadores
- Fundação da Sondar: 1998
- Primeiro ensaio realizado: 1999
- Primeira acreditação NP EN ISO/IEC 17025: 2001
- 45 ensaios acreditados
- Mais de 65 técnicos especializados formados
- Volume de Negócios do Grupo: 4,7 milhões de euros
- EBITDA: 847 mil euros
RECONHECIMENTO INSTITUCIONAL
O percurso desenvolvido pelo Grupo foi igualmente reconhecido por entidades independentes que distinguem organizações com elevado desempenho técnico, capacidade de inovação e solidez empresarial.
Entre esses reconhecimentos destacam-se:
- Cliente Aplauso Millennium bcp, atribuído consecutivamente desde 2023, distinguindo empresas com desempenho económico-financeiro consistente, gestão sólida e sustentabilidade.
- Estatuto Inovadora COTEC Portugal, obtidos desde 2021 até hoje, reconhecendo empresas que demonstram capacidade de inovação, robustez financeira e criação sustentada de valor.
- Reconhecimento de Idoneidade para a prática de atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D), atribuído pela ANI – Agência Nacional de Inovação, certificando a competência científica, técnica e organizacional para desenvolver atividades de investigação, desenvolvimento e inovação.
Mais do que distinções institucionais, estes reconhecimentos refletem um percurso assente na credibilidade técnica, na inovação contínua e na confiança construída ao longo de mais de duas décadas.
CONCLUSÃO
Ao longo de mais de vinte e cinco anos, o Grupo Sondar demonstrou que a verdadeira inovação não começa quando a legislação muda ou quando o mercado identifica uma necessidade.
Começa muito antes.
Começa quando existe a capacidade de investir em conhecimento sem garantia de retorno imediato, quando se aposta na competência técnica antes de ela ser exigida e quando se acredita que a qualidade constitui um fator estratégico e não apenas uma obrigação regulamentar.
Em diversos momentos da evolução da monitorização ambiental portuguesa, o Grupo encontrava-se já preparado para responder a desafios que o mercado ainda não reconhecia.
Essa capacidade explica porque hoje a Sondar, a Sondarlab e a LCM Ibéria são reconhecidas não apenas pela dimensão da sua atividade, mas pelo contributo efetivo que deram para elevar os padrões técnicos, laboratoriais e tecnológicos da monitorização ambiental em Portugal.
O maior legado do Grupo não reside apenas nos seus 45 ensaios acreditados, nos resultados económicos alcançados ou nas milhares de medições realizadas ao longo dos anos.
Reside no facto de ter contribuído para tornar a monitorização ambiental portuguesa mais rigorosa, mais competente e tecnologicamente mais preparada para responder aos desafios das próximas décadas.
Em muitos momentos da sua história, o Grupo Sondar não acompanhou a evolução do setor.
Ajudou a defini-la.
