Apenas 5% das empresas portuguesas recorrem a financiamento sustentável
Estudo do ISQ e UHY revela liderança das grandes empresas e potencial inexplorado entre as PME
Apenas 5% das empresas portuguesas recorrem atualmente a instrumentos de financiamento sustentável, como ESG loans, Green Bonds ou Sustainability Linked Loans. A conclusão é de um estudo nacional desenvolvido pelo ISQ e pela UHY, apresentado hoje no ISQ, Tagus Park, que reuniu especialistas da banca, do IAPMEI e do BCSD Portugal.
Baseada em mais de 1.000 respostas de empresas de todas as regiões e setores, a análise mostra um conhecimento desigual sobre o tema: 55% das grandes empresas afirmam estar familiarizadas com o financiamento sustentável, face a 27% das microempresas.
Apesar da baixa taxa de utilização, o interesse está a crescer — 16% das empresas planeiam adotar estes instrumentos nos próximos três anos e 21% manifestam curiosidade em saber mais. Entre as áreas prioritárias de investimento destacam-se a mitigação das alterações climáticas, a economia circular e o impacto social positivo.
Mais de 60% das empresas inquiridas consideram o financiamento sustentável mais vantajoso do que o tradicional, apontando benefícios como melhoria da reputação, redução de custos e estímulo à inovação.
Para os autores do estudo, “o financiamento sustentável é mais do que uma tendência: é uma oportunidade estratégica para reforçar a competitividade e responder às exigências dos mercados internacionais”. O principal desafio, sublinham, passa por democratizar o acesso, especialmente junto das PME, e combater o desconhecimento sobre as finanças sustentáveis.
O relatório conclui que a capacitação técnica, a simplificação de processos e o maior envolvimento do setor financeiro serão cruciais para tornar a transição sustentável mais inclusiva e eficaz em Portugal.
ISQ e Finanças Sustentáveis
O ISQ é a primeira entidade portuguesa a apresentar um serviço de Second Party Opinion para o segmento de mercado de dívida que mais tem inovado nos últimos anos: os financiamentos sustentáveis.
Numa metodologia que contempla todos os princípios Green – nomeadamente, os Green Bond Principles (GBP), Social Bonds (SBP), Sustainability Bond Guidelines (SBG), Climate Bonds Standard (CBS) da International Capital Market Association (ICMA) e os Green Loan Principles (GLP) da Loan Market Association (LMA) – e tendo em linha de conta o cumprimento das políticas e objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e de responsabilidade ambiental, social e de governança corporativa (ESG), o ISQ compromete-se a orientar os investidores durante todo o ciclo dos seus projetos com foco nos critérios ESG, ajudando-os a tomar decisões conscientes e não caírem em facilitismos que mais tarde possam vir a ser consideradas ações de green ou social washing .
O que diz a Comissão
O relatório “Overview of Sustainable Finance” da Comissão Europeia apresenta a ambição e o roteiro para mobilizar o sistema financeiro a apoiar a transição para uma economia mais sustentável. Mostra que não se trata apenas de “fazer o bem ambientalmente”, mas de alinhar o sistema financeiro com riscos e oportunidades ESG, com impactos reais na economia, na sociedade e na governação. O esforço é amplo, envolvendo regulamentação, incentivos, divulgação e mudança de paradigma. Porém, a execução e o envolvimento de todos os atores (empresas, instituições financeiras, reguladores, investidores) continua a ser fundamental.
Desafios e tendências europeias
Padronização: há uma necessidade de definições e criação de padrões comuns para evitar confusão e garantir transparência, razão pela qual as organizações estão a desenvolver estruturas regulatórias como a taxonomia da UE.
Regulamentação: novas regulamentações, como a Diretiva de Relatórios de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) da UE, estão a expandir os requisitos de relatórios para um número muito maior de empresas.
Greenwashing: Um desafio neste campo é identificar e evitar o greenwashing, em que uma empresa afirma falsamente que os seus produtos ou práticas são mais sustentáveis do que realmente são.
Crescimento do mercado: O mercado está a crescer rapidamente, impulsionado pela procura dos investidores, pela ação regulatória e pelos grandes compromissos assumidos por grandes empresas de investimento. Consulte aqui o estudo
