Testes e Ensaios do primeiro Satélite Português começam na próxima semana

 Os ensaios da câmara multiespectral do Satélite INFANTE, o primeiro satélite português, serão iniciados já em novembro no Laboratório de Aeroespacial do Grupo ISQ, em Castelo Branco. Com esta câmara será possível captar imagens da Terra e dos oceanos. O INFANTE é o primeiro satélite integralmente concebido e construído em Portugal para observação da Terra, com especial foco nas aplicações marítimas; um investimento global da ordem dos 9 milhões de euros. Estará em órbita a partir de 2020.

“A construção deste microssatélite vem demonstrar a capacidade e a maturidade da indústria nacional de desenhar, construir, integrar, testar e operar um demonstrador de um microssatélite em órbita baixa. O ISQ tem a seu cargo a garantia de qualidade transversal a todo o projeto bem como a atividade de planeamento e testes de desenvolvimento de tecnologia de sistemas”, salienta Pedro Matias, presidente do ISQ.

Este é um projeto demonstrador e percursor para futuras constelações, desenvolvido por um consórcio do qual fazem parte nove empresas portuguesas da área do Espaço, 150 investigadores, laboratórios de investigação e Universidades. “Foi muito interessante juntar estas competências todas e perceber que existem em Portugal empresas fantásticas com um know-how muito profundo na área da Aeronáutica e do Aeroespacial”, complementa o Presidente do ISQ.

A câmara multiespectral do Satélite INFANTE é um instrumento ótico miniaturizado que permite captar imagens da Terra e dos oceanos, no espectro visível, e com muito alta resolução. A câmara distingue-se de outros instrumentos semelhantes pela capacidade de adquirir, processar e comprimir imagens em tempo-real a bordo, de forma a minimizar o volume de dados enviado para o chão.

O hardware de processamento usado para este fim é idêntico ao utilizado em projetos anteriores com a Agência Espacial Europeia (ESA), no contexto do desenvolvimento de tecnologias aplicáveis a missões de aterragem planetária (Lua, Marte e pequenos corpos).

O projeto da câmara multiespectral está a cargo da empresa aeroespacial portuguesa Spin.Works, que foi responsável pelo desenho e desenvolvimento de todos os componentes ópticos, estruturais, de electrónica e de software. Neste contexto, foi já concluída a fase de integração e de testes de uma primeira versão do instrumento (denominada modelo de engenharia – EM), que inclui praticamente todo o hardware e software finais – com a excepção da estrutura principal da câmara. Estima-se que o TRL (Technology Readiness Level) deste instrumento esteja atualmente no nível 6.

“Os testes a realizar no ISQ enquadram-se num Plano de Verificação e refinamento dos modelos estruturais usados no projeto, com vista à construção dos modelos de qualificação e vôo com recurso a materiais termicamente muito estáveis (um requisito fundamental para garantir o normal funcionamento deste instrumento no espaço)”, acrescenta Pedro Matias

O Plano de Verificação inclui também os testes de integração, que vão confirmar o funcionamento de todos os subsistemas após a sua montagem na plataforma do satélite. Esta atividade iniciar-se-á no final deste ano, estando a qualificação da câmara multiespectral do INFANTE para a sua operação no espaço (TRL 8) prevista para o primeiro semestre de 2020, após uma bateria adicional de testes que terá lugar nas instalações do ISQ.

Com o formato de um pequeno paralelepípedo o Infante será o primeiro de uma futura constelação de 12 satélites idênticos a ser construídos e lançados após 2020. Será a primeira rede de satélites portuguesa para fazer monitorização dos oceanos e da Terra.

O consórcio deste projeto integra nove empresas da área do Espaço como é caso da Tekever, Active Space Technologies, Omnidea, Active Aerogels, GMV, HPS, Spin Works, entre outras, e dez centros de I&D de várias Universidades e laboratórios de investigação de todo o país ligados à área espacial como é o caso do ISQ, CEIIA, FEUP, FCT-UNL, INL, IPN, IPTomar, ISR Lisboa, IT Aveiro e UBI.

“Ao juntar todas estas entidades a indústria nacional demostrou uma grande maturidade e vontade de subir na cadeia de valor oferecendo a nível internacional soluções muito interessantes para um mercado que está com grande procura e crescimento”, conclui Pedro Matias.

Aplicações do INFANTE:

Foram selecionadas três aplicações de Observação da Terra como estudos de caso, focadas na área atlântica:

Vigilância marítima: o INFANTE irá identificar navios no Atlântico e reportará alertas;

Monitorização ambiental: O INFANTE irá monitorizar os fenómenos ambientais de evolução lenta (como derrames de óleo ou proliferação de algas);

Deteção e monitorização de eventos extremos: O INFANTE irá detetar e monitorizar fenómenos de rápida evolução (por exemplo, incêndios, inundações, eventos meteorológicos extremos ou outros).